terça-feira, 27 de novembro de 2012

Passava areia de mão em mão

meu tempo encaixa
há praia, ainda bem

vi cabelos soltos

veio logo o problema
com o tamanho de
aguar seu suco 
molhar seu quarto
usar seu pano
beijar sua bacia

sábado, 22 de setembro de 2012

Marker

me entrega na tela a minha própria visão de mundo. mais do que olho no olho. cinema-olho.

Decerto


aprendi que existem algumas palavras sem plural.
lápis, por exemplo.
(e Deus?)

domingo, 20 de maio de 2012

20 de maio. Dia.

Reunião familiar. Chega Raúl Castro, entra na minha cozinha e lança: "Monike, você é filha de Fidel".

sábado, 19 de maio de 2012

Percebi

A gente dá praia.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Apicha

peco
tentando explicar o que sinto
perco
o sentido

eu, mudo
sou menos enigma

prefiro então ser mato
olfato

natural é ser mato
esperar pelo bravo

por isso as florestas estão sempre cantando

Sotaque, clichê migrante

Um sotaque é mais que um acento
É forma, mas também incremento
Só Deus sabe como fala Mariazinha ao relento
A proteger seu filho melequento
De tomar qualquer vento
Tenha cuidado!
Depois, pra curar, só uguento
De uma dor que o nomeia lazarento
Vê se te cuida mermo
Dali a pouco vai desgrudar para ganhar sustento
Dar adeus ao amigo cão sarnento
Crescer encarando sargentos
Desobedecer os pensamentos
Palavra articulada requer muito tratamento
Mastigar nunca foi seu talento

terça-feira, 1 de maio de 2012

30 de abril. Noite.

Sonho. Sonho muito. Toda noite. Mas desta vez foi diferente. A sequência? Um beijo de um desconhecido. Um banheiro. Um espelho. Meu reflexo. Meu cabelo. Por debaixo dos fios, meu cérebro em carne viva, latente. As cores: muito vermelho, roxo, tons terrosos. Podia tocá-lo. E à espreita, espiava para dentro de meus neurônios. Via apenas um espaço vazio, com elementos flutuantes e estacas de madeira. Madeira. Uma estrutura esparsa que se estendia até os meus pés. O meu cérebro rompia os limites da minha cabeça e avançava o vazio do meu corpo. Senti medo. E voltei ao beijo.